Variantes COVID-19: quais são, sintomas e o que significam

Variante é um termo utilizado para fazer referência às alterações genéticas que foram identificadas num determinado agente infeccioso, que podem fazer com que tenha maior capacidade de infecção e/ou transmissão, assim como maior resistência à ação do sistema imunológico, por exemplo.

As variantes são mais comuns de acontecerem em vírus, já que o material genético é, na sua maioria, constituído por RNA, que é menos estável que o DNA e que, por isso, tem maior probabilidade de sofrer alterações ao longo do tempo.

De forma geral, o que se sabe até ao momento é que as variantes da COVID-19 são, de fato, mais fáceis de transmitir, mas ainda não existem evidências que mostrem que as variantes possam causar casos mais graves da doença. No entanto, são ainda necessários mais estudos que avaliem o comportamento dessas variantes e seus efeitos no organismo.

Variantes COVID-19: quais são, sintomas e o que significam

A OMS divide as variantes da COVID-19 em dois grupos: variantes de preocupação e variantes de interesse:

Variantes de preocupação

As variantes de preocupação são aquelas que parecem se transmitir mais facilmente e apresentam maior potencial de causar infecções graves. Nesta categoria estão presentes 4 variantes:

1. Variante Delta - Índia (B.1.617.2/AY.1/AY.2)

A variantes da Índia (B.1.617.2/ AY.1/ AY.2), conhecida também por variante Delta, foi identificada entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 e também apresenta mutações na proteína S, favorecendo a infecção.

Em junho de 2021 foi identificada na Índia uma mutação na variante delta, que passou a ser conhecida como variante delta plus, no entanto ainda são necessários estudos que avaliem o comportamento dessa variável.

O que significa: assim como as outras variantes, as mutações da variante Indiana aumentam a capacidade de transmissão do vírus.

É mais grave? Foi verificado que a variante B.1.617.1 é capaz de escapar da atividade dos anticorpos, enquanto que as variáveis B.1.617.2 e B.1.617.3 são capazes de neutralizar a resposta imunológica do corpo, fazendo com que o vírus sobreviva mais facilmente no corpo, favorecendo a infecção. De acordo com os cientistas, a variante delta plus é também capaz de "driblar" a ação do sistema imune, causando infecção mais facilmente. No entanto, são necessários mais estudos para entender se isso se traduz numa infecção mais grave por COVID-19.

2. Variante Alfa - Reino Unido (B.1.1.7)

A variante do Reino Unido (B.1.1.7), também conhecida por variante Alfa, foi primeiramente identificada em setembro de 2020, tendo sido verificada a presença de 17 mutações em relação ao coronavírus "original". Dentre essas 17 mutações, 8 estão relacionadas com a proteína S, que é a proteína presente na superfície do vírus e que permite que se ligue às células humanas, resultando na infecção.

O que significa: como consequência das mutações, a variante do Reino Unido consegue se ligar melhor às células humanas, dificultando trabalho do sistema imune para "quebrar" essa ligação, o que faz com que qualquer pessoa que entre em contato com esta variante tenha maiores chances de ficar doente do que com a variante "original". Além disso, como esta variante se espalhou muito rápido pelo Reino Unido, também se considera que tem maior capacidade de transmissão.

É mais grave? Alguns estudos demonstraram que a infecção com esta variante poderia estar relacionada com maior taxa de hospitalização e mortalidade, no entanto essa relação também poderia ser explicada pelo grande aumento do número de casos em pouco tempo, o que acabou sobrecarregando o sistema de saúde, atrasando o início do tratamento e medidas de suporte. Dessa forma, são necessários mais estudos para entender a real gravidade desta variante.

2. Variante Beta - África do Sul (B.1.351/B.1.351.2/B.1.351.3)

A variante da África do Sul (B.1.351/ B.1.351.2/ B.1.351.3), também conhecida como variante Beta, foi primeiramente identificada em outubro de 2020 e, assim como a variante do Reino Unido, apresenta também algumas mutações na proteína S, o que faz com que o vírus se melhor às células humanas, resultando em infecção.

O que significa: esta variante apresenta maior transmissibilidade e é capaz de diminuir a ação dos anticorpos, o que dificulta o tratamento e recuperação da pessoa.

É mais grave? Ainda não existem evidências científicas que indiquem que essa variante está relacionada com casos mais graves de COVID-19.

4. Variante Gama - Brasil (P.1/P.1.1/P.1.2)

A variante brasileira (P.1/P.1.1/P.1.2), também conhecida como variante Gama, foi primeiramente identificada em dezembro de 2020 e apresenta 17 mutações, sendo 12 localizadas na proteína S e 3 no receptor presente nessa proteína, o que aumenta a afinidade de ligação entre o vírus e as células humanas.

O que significa: a taxa de transmissibilidade da variante brasileira é de até 2,4 vezes superior à variante "original" do coronavírus.

É mais grave? Os principais estudos indicam que esta variante é até 61% mais capaz de neutralizar e escapar da atividade dos anticorpos circulantes no organismo contra o vírus, aumentando o risco de reinfecção, principalmente nos casos das pessoas que não foram imunizadas ou que apenas tomaram uma dose da vacina. Porém, ainda não se consegue comprovar que esta variante provoque uma infecção mais grave, sendo necessários mais estudos.

Recentemente, foi também identificada a variante P.1.2, que surgiu como consequência de uma mutação na variante de Manaus, a variante P.1. No entanto, ainda não existem estudos que indiquem se essa variante é mais letal ou mais transmissível.

Variantes de interesse

Já as variantes de interesse são aquelas que também foram identificadas mas que ainda não parecem apresentar a mesma facilidade de transmissão ou de gravidade das variantes de preocupação.

Nesta categoria estão presentes sete variantes:

  • Variante Eta (B.1525): identificada em vários países;
  • Variante Iota (B.1526): identificada primeiramente nos Estados Unidos;
  • Variante Kappa (B.1617.1; B1.620 e B.1.621): identificada primeiramente na Índia;
  • Variante Lambda (C.37): identificada primeiramente no Peru;
  • Variante Mu (B.1.621): identificada primeiramente na Colômbia.

Todas as variantes de interesse, assim como as de preocupação, estão em constante monitorização e avaliação, podendo ser reclassificadas quando não representam risco elevado para a população. Dessa forma, as variantes B.1427 e B.1429 (variante épsilon), P.2 (variante zeta) e P.3 e B.1.616 (variante teta) foram reclassificadas, não sendo mais consideradas variantes de interesse, no entanto permanecem sob vigilância.

Variantes de alta consequência

As variantes de alta ou grande consequência são aquelas que são resistentes às medidas de prevenção e controle, o que faz com que continuem circulando, aumentando o risco de desenvolvimento de infecções mais graves.

Algumas das principais características das variantes de alta consequência são dificuldade de diagnóstico, resistência às vacinas desenvolvidas e aos medicamentos utilizados para controle dos sintomas da COVID-19 e maior capacidade de causar doença mais grave e internamentos. Apesar disso, até o momento nenhuma das variantes identificadas foram classificadas como variante de grande consequência.

Os sintomas das variantes são diferentes?

Até o momento não foram identificadas diferenças em termos de sintomas entre as variantes e, por isso, a única forma de identificar o tipo de variante responsável pela infecção é através de exame laboratorial molecular, em que é feita a identificação das mutações que são características de cada tipo de variante.

Assim, os sintomas de atenção continuam sendo:

  • Tosse seca persistente;
  • Cansaço excessivo;
  • Febre acima de 38º C;
  • Dor generalizada;
  • Perda de gosto e/ou olfato.

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A identificação da variante é importante para a epidemiologia, pois ao saber as características do vírus mais circulante na região é possível estabelecer medidas de identificação do vírus, vigilância, prevenção e controle da infecção mais eficazes, que permitem diminuir o número de casos e até facilitar o tratamento. Veja o que fazer para prevenir a infecção pelo SARS-CoV-2.

As vacinas são eficazes contra as variantes?

Até o momento, todas as vacinas disponibilizadas são eficazes contra as variantes circulantes, tendo sido verificado que a administração da vacina é capaz de estimular de forma eficaz a resposta imunológica, diminuir a transmissão do vírus e a incidência de infecção. No entanto, novos estudos estão sendo realizados para avaliar a duração da imunidade contra essas variantes, bem como o efeito sobre novas possíveis mutações do vírus.

Em um estudo realizado no Reino Unido com objetivo de avaliar a eficácia das vacinas Pfizer e AstraZeneca contra a variante delta [1], foi verificado que a imunidade conferida pela vacina Pfizer passou de 92% para 78% após 90 dias da administração da segunda dose, enquanto que a eficácia de AstraZeneca passou de 69% para 61% após 90 dias.

Essas diminuições são consideradas normais e as vacinas continuam sendo altamente recomendadas para prevenir o desenvolvimento da doença, já que ainda sim demonstram grande atividade contra o SARS-CoV-2. Em alguns países têm sido estudada a possibilidade da administração de uma terceira dose da vacina em pessoas com o sistema imunológico mais enfraquecido com o objetivo de promover ainda mais proteção contra a variante delta.

Saiba mais sobre as vacinas para COVID-19.

É possível ter duas variantes ao mesmo tempo?

Embora seja considerada uma situação extremamente rara, ficar infectado com duas variantes da COVID-19 ao mesmo tempo, é possível. Até ao momento são poucos os casos registrados, no entanto a contaminação por duas variantes em simultâneo já foi identificada em pacientes no Brasil e na Bélgica. De acordo com os relatórios, a infecção por duas variantes não parece produzir sintomas mais graves.

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