Coceira na vagina: o que pode ser e como tratar

A coceira na vagina, conhecida cientificamente como prurido vaginal, geralmente é um sintoma de algum tipo de alergia na região íntima ou de candidíase.

Quando é causada por uma reação alérgica, a região afetada é, na maior parte das vezes, a mais externa. Neste caso, o uso de calcinhas que não sejam de algodão e de calças jeans, diariamente, podem causar irritação e aumentar a coceira. Já quando a coceira é mais interna, normalmente está sendo causada pela presença de algum fungo ou bactéria e a coceira pode vir acompanhada de dor ao urina, inchaço e corrimento esbranquiçado.

Para descobrir a possível causa da coceira na vagina, assinale todos os sintomas que estão presentes:

  1. 1. Vermelhidão e inchaço em toda a região íntima
  2. 2. Placas esbranquiçadas na vagina
  3. 3. Corrimento esbranquiçado com grumos, semelhante a leite talhado
  4. 4. Dor ou sensação de queimação ao urinar
  5. 5. Corrimento amarelado ou esverdeado
  6. 6. Presença de pequenas bolinhas na vagina ou pele áspera
  7. 7. Coceira que surge ou piora após usar algum tipo de calcinha, sabonete, creme, cera ou lubrificante na região íntima
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Como alguns destes sintomas são comuns a várias alterações, o melhor é sempre consultar o ginecologista caso a coceira não melhore após 1 semana de cuidados simples como manter a região íntima bem limpa e seca, evitar roupa de materiais sintéticos e fazer uma alimentação com menos alimentos açucarados.

Tratamento para coceira na vagina

Uma boa forma para aliviar a coceira na vagina, no clitóris e nos grandes lábios é lavar a região íntima com chá de alecrim e sálvia, pois tem propriedades antimicrobianas que eliminam bactérias e evitam o crescimento de fungos, que podem piorar a coceira. Confira a receita deste e outros remédios caseiros para coceira na vagina.

No entanto, é sempre importante consultar o ginecologista para iniciar um tratamento mais específico, de acordo com a causa:

1. Candidíase

A candidíase é uma infecção comum causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, principalmente quando o sistema imune está enfraquecido ou quando ocorrem alterações no pH da região íntima, causando coceira vaginal, ardência, e corrimento branco grumoso, com textura de nata ou leite talhado.

O tratamento para candidíase normalmente é feito com o uso de pomadas antifúngicas ou antifúngicos orais receitados pelo ginecologista, como Clotrimazol ou Miconazol, além de ser recomendado melhora dos hábitos de higiene. Confira quais são as pomadas ginecológicas mais indicadas em caso de candidíase. 

2. Alergia a substâncias químicas

Algumas substâncias químicas, como o cloro presente na água do jacuzzi, banheira ou piscina, por exemplo, pode causar coceira na vagina, sendo nesses casos recomendados que a região íntima seja bem lavada com sabão de pH neutro. Depois de seca, é recomendado utilizar calcinha de algodão.

Depois de sair da piscina, também é importante tirar o biquíni para que não seque no corpo e permita o crescimento de fungos ou o contato prolongado com cloro.

Coceira na vagina: o que pode ser e como tratar

3. Infecções sexualmente transmissíveis

As infecções sexualmente transmissíveis, popularmente conhecidas como IST's ou DST's, também podem causar coceira na vagina. Por isso, é importante que caso haja comportamento de risco, ou seja, contato íntimo sem preservativo, sejam feitos exames específicos para que seja identificada a causa e iniciado o tratamento mais adequado, seja com antibióticos ou com antivirais. Entenda como é feito o tratamento das principais IST's.

4. Alergia à camisinha

O material que compõe a camisinha, como o látex, ou até mesmo o lubrificante, espermicida ou produtos que dão cor, cheiro ou sabor à camisinha, podem causar alergia e levar ao surgimento de coceira na vagina, que pode ser acompanhada de outros sintomas como sensação de queimação, vermelhidão ou inchaço nas partes íntimas. Saiba identificar todos os sintomas de alergia à camisinha

O tratamento da alergia à camisinha deve ser feito pelo ginecologista que pode indicar uso de pomadas corticóides ou uso de remédios antialérgicos, por exemplo. Além disso, deve-se usar camisinhas mais simples, sem corantes ou aromatizantes, e que não contenham látex, como a camisinha de poliuretano ou poliisopreno, ou a camisinha feminina que é feita de plástico. 

5. Alergia ao material da calcinha

O tipo de material da calcinha como lycra, renda, microfibra ou elastano, podem causar irritação ou alergia na região íntima, levando ao surgimento de coceira vaginal, vermelhidão ou inchaço. Além disso, esses materiais sintéticos podem aumentar a transpiração e abafar a região íntima, levando a uma alteração do pH vaginal e desregulação da flora bacteriana, aumentando o risco de desenvolver candidíase.

É recomendado o uso de calcinhas de algodão, que é um material mais natural, que não causa alergia e irritação na região íntima. Além disso, a calcinha de algodão permite maior ventilação da pele e diminui a transpiração da região íntima, o que torna a região menos úmida e quente fazendo com que a candidíase não se desenvolva.

6. Hábitos de higiene

A falta de higiene adequada também pode resultar em coceira na vagina. Por isso, é recomendado que a região externa seja lavada diariamente com água e sabão neutro, incluindo após a relação sexual. A região deve estar sempre seca, sendo melhor usar calcinha de algodão, e evitar o uso de calças muito apertadas e calcinha com elástico apertado.

Além disso, durante a menstruação é recomendado que o absorvente seja trocado sempre a cada 4 ou 5 horas, mesmo que não esteja aparentemente muito sujo, pois a vagina fica em contato direto e constante com fungos e bactérias presentes na região íntima.

Em qualquer caso, se a coceira durar por mais de 4 dias ou surgirem outros sintomas, como corrimento com mau cheiro ou inchaço da região, é aconselhado ir ao ginecologista para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.

Como não ter mais coceira na vagina

Para evitar a coceira na vagina, clitóris e grandes lábios é indicado:

  • Usar roupa íntima de algodão, evitando materiais sintéticos que não deixam a pele respirar, facilitando o crescimento de fungos;
  • Ter uma boa higiene íntima, lavando somente a região externa, com sabonete neutro, mesmo após o contato íntimo;
  • Evitar o uso de calças muito justas, para impedir a elevação da temperatura local;
  • Utilizar preservativo em todas as relações, para evitar a contaminação com as DSTs.

Estes cuidados ajudam também a aliviar a irritação local e a diminuir a coceira, quando já existe. É, ainda, recomendado evitar fazer uma alimentação com alimentos muito açucarados. Veja algumas dicas da dieta para tratar a coceira:

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Bibliografia

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