O exame de intolerância à lactose inclui o teste respiratório e o teste oral de tolerância à lactose. No entanto, o médico pode também indicar outros exames, como o teste de acidez das fezes, o teste genético ou a biópsia intestinal.
O preparo para o exame de intolerância à lactose inclui fazer jejum de cerca de 8 horas e evitar medicamentos como antibióticos 4 semanas antes. É recomendado também evitar lactose, fibras alimentares e FODMAPs 24 horas antes do teste.
A intolerância à lactose é uma síndrome causada pela diminuição ou falta da enzima lactase no organismo, causando alguns sinais e sintomas como inchaço abdominal, excesso de gases, diarreia, dor de barriga e de cabeça.
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Como é o preparo
O preparo do exame de intolerância à lactose inclui:
- Fazer jejum absoluto por pelo menos 8h para adultos e crianças, e de pelo menos 4h para bebês;
- Suspender o uso de lactulose, lactose, laxantes, remédios procinéticos e probióticos 24 horas antes e durante o teste;
- Diminuir a atividade física 2 horas antes e durante o teste, para evitar a hiperventilação;
- Parar de fumar pelo menos 2 horas antes do teste;
- Evitar o uso de antibióticos por pelo menos 4 semanas antes do teste;
- Evitar lactose, fibras alimentares e FODMAPs por 24 horas antes do teste, pois podem aumentar os níveis de hidrogênio;
- Não fazer limpeza intestinal, como o preparo para uma colonoscopia ou cirurgia intestinal, nas últimas 2 semanas.
Entretanto, é importante ressaltar que o preparo para o exame de intolerância à lactose varia conforme o método realizado. Por isso, é fundamental seguir sempre a orientação do médico e do laboratório onde será realizado o teste.
Exame de lactose precisa de jejum?
Sim, o exame de lactose precisa de jejum. No teste respiratório e o teste oral de tolerância à lactose, é recomendado que adultos e crianças façam pelo menos 8 horas de jejum.
Já nos bebês, é aconselhado fazer pelo menos 4 horas de jejum antes do exame.
Principais exames
Os exames indicados para avaliar a tolerância à lactose são:
1. Teste respiratório de hidrogênio expirado
O teste respiratório de hidrogênio expirado, é um dos principais exames de intolerância à lactose indicados.
Considerado o exame mais comum e considerado o "padrão-ouro" para diagnosticar a intolerância à lactose.
Como é feito: a pessoa deve soprar lentamente um pequeno tubo ou um aparelho que mede a quantidade de hidrogênio na respiração.
Em seguida, deve-se ingerir de 25 a 50 g de lactose diluída em água e soprar novamente no aparelho a cada 30 minutos, durante um período de 3 a 4 horas.
Quando o intestino delgado não consegue quebrar e absorver a lactose, devido à deficiência da enzima lactase, esse açúcar passa intacto para o cólon (intestino grosso).
No cólon, as bactérias normais do intestino fermentam a lactose, produzindo grandes quantidades de gases, como hidrogênio e metano. Esses gases são absorvidos pela corrente sanguínea e exalados pelos pulmões, sendo detectados no teste.
Resultado: considera-se que a pessoa tem intolerância à lactose, quando a quantidade de hidrogênio é 20 ppm ou maior que o da primeira medição, ou 10 ppm de metano.
Entretanto, para diagnosticar a intolerância à lactose, o médico também avalia se houve piora dos sintomas, como inchaço, cólicas ou diarreia, durante a realização do teste.
2. Teste de tolerância à lactose
O teste oral de tolerância à lactose é um método usado para avaliar a capacidade do intestino de digerir e absorver esse açúcar.
Este exame avalia as concentrações de glicose no sangue após a ingestão de uma sobrecarga de lactose.
Como é feito: o enfermeiro coleta uma amostra de sangue da pessoa. Em seguida, a pessoa deve ingerir um líquido com uma dose específica de lactose pura, que geralmente é de 50 g para adultos.
Em seguida, novas amostras de sangue são coletadas em intervalos de tempo regulares, para medir a variação do nível de glicose.
Resultado: se o nível de glicose no sangue subir menos de 20 mg/d), significa que a lactose não foi absorvida, indicando má absorção
Nesse caso, um teste de tolerância à glicose pode ser solicitado pelo médico, para descartar que o problema seja uma incapacidade geral do corpo de absorver glicose.
Entretanto, o teste oral de tolerância à lactose tem uma sensibilidade em torno de 75% a 94% e especificidade de 96%, podendo falhar ou até mesmo apresentar resultados imprecisos em pessoas com supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO) ou com esvaziamento gástrico mais lento.
Além disso, este teste não é válido ou indicado para pessoas com diabetes mellitus, pois as alterações no metabolismo da glicose interferem na interpretação dos resultados.
3. Teste de acidez das fezes
O teste de acidez das fezes pode ser feito por pessoas de qualquer idade, mas é feito normalmente em bebês ou crianças pequenas que não conseguem realizar os testes de respiração ou de sangue com facilidade.
A presença de lactose não digerida nas fezes leva à formação de ácido láctico, o que deixa as fezes mais ácidas que o normal, sendo identificado no exame de fezes.
Como é feito: a criança ou adulto recebe uma dose de lactose para ingerir, ou o leite / fórmula infantil habitual.
Em seguida, uma amostra das fezes produzidas é coletada e enviada para o laboratório, onde serão avaliados o nível de acidez e a presença de outras substâncias.
Resultado: a pessoa tem intolerância à lactose quando é verificado que as fezes possuem pH mais ácido do que o normal, ficando abaixo igual ou abaixo de 5.
4. Biópsia do intestino
A biópsia do intestino delgado é um exame pouco indicado, por ser muito invasivo Assim, este exame é recomendado apenas para descartar outras condições graves, como doença celíaca.
Este exame permite avaliar diretamente a atividade da lactase, apresentando cerca de 95% de sensibilidade e 90% de especificidade.
Como é feito: durante um exame de colonoscopia, o médico retira um pequeno fragmento de tecido da mucosa do intestino delgado.
Em seguida, a amostra é avaliada em laboratório para medir a atividade da enzima lactase, geralmente usando uma placa de testes onde se espera uma reação de mudança de cor.
Resultado: se a amostra não mudar de cor, indica que não houve reação e não existe a presença significativa de lactase, confirmando a intolerância à lactose.
Leia também: Lactase: o que é, para que serve e como tomar tuasaude.com/lactase5. Teste genético de tolerância à lactose
O teste genético de intolerância à lactose usa técnicas de biologia molecular, como a reação em cadeia da polimerase, para identificar variações genéticas específicas que determinam se o corpo continuará ou não produzindo a enzima lactase na vida adulta.
Como é feito: para fazer esse exame, uma pequena amostra de sangue ou swab de saliva é recolhida no laboratório, onde serão realizados testes moleculares.
Resultado: o exame é positivo quando, entre populações indo-europeias, o genótipo TT está associado à persistência da lactase, que o indivíduo continuará produzindo a enzima adequadamente e será tolerante à lactose.
Já o genótipo C/T indica a deficiência parcial da produção da lactase e o genótipo CC corresponde à deficiência completa.
O teste genético confirma a hipolactasia primária, que é a diminuição natural e hereditária da enzima ao longo da vida. Entretanto, não detecta a intolerância secundária, quando a falta da enzima é causada por danos na mucosa do intestino devido a outras doenças ou infecções.