O que é:
Crack é um termo popular utilizado para descrever a cocaína no seu estado cristalizado, que forma aglomerados semelhantes a pedras brancas que, quando queimados, fazem pequenos estalos - "crack".
Esta droga pode ser queimada e fumada na forma de pedra, através de cachimbos muitas vezes improvisados com materiais do dia a dia, ou quebrada e utilizada para misturar em cigarros, por exemplo. Uma vez que a absorção da fumaça no pulmão é bastante fácil, esta droga tem efeitos mais rápido do que a cocaína, que é geralmente inalada na forma de pó.
Por ser uma droga estimulante, o crack depois de fumado cria um rápido efeito de euforia que deixa o seu utilizador com mais energia e maior auto-estima, e, é por essas razões, que o crack acaba sendo muito utilizado, especialmente por pessoas que estão passando por períodos difíceis. No entanto, o crack, assim como a cocaína também tem um alto poder viciante e, por isso, o utilizador também acaba necessitando de utilizar a droga mais frequentemente e em doses gradualmente maiores, o que traz vários riscos para a saúde.
Sinais e sintomas do consumo de crack
Além de apresentar maiores níveis de energia, confiança e euforia, uma pessoa que esteja usando crack também pode ter outros sinais e sintomas, como:
- Pupilas muito dilatadas;
- Incapacidade para ficar quieta;
- Comportamento agressivo;
- Aumento dos batimentos cardíacos;
- Presença de queimaduras ou bolhas nos lábios e dedos.
Após algumas horas do uso, é frequente surgir uma sensação muito grande de exaustão, o que faz com que a pessoa durma durante mais de 12 horas e acorde com mais fome do que o habitual.
Confira ainda outros sinais e sintomas que podem surgir em pessoas que fazem uso de drogas.
O que acontece no corpo
Ao fumar o crack, a fumaça chega nos pulmões e é absorvida rapidamente para a corrente sanguínea. Essas substâncias são transportadas até ao cérebro onde conseguem aumentar a quantidade de dopamina, através de um mecanismo que evita que esse neurotransmissor seja reabsorvido.
À medida que a concentração de dopamina vai aumentando no cérebro, a pessoa vai ficando com uma sensação cada vez maior de excitação, energia e euforia. Porém, com esses efeitos que podem ser considerados "positivos", também surgem outras alterações que podem colocar em risco a saúde, especialmente a nível cardíaco, respiratório e neuronal.
As primeiras alterações surgem no cérebro, já que é o local onde a droga atua diretamente e, nesse caso, acontece uma alteração na rede de neurônios que muda a forma como o cérebro responde à sensação de prazer e como lida com o estresse, que faz com que a pessoa passe a observar o crack como a única solução para os seus problemas. Além disso, e por causar alterações nos neurônios, também é comum o surgimento de alucinações e comportamento agressivo.
Depois, e principalmente devido ao uso prolongado, o ritmo cardíaco também pode acabar sendo afetado, assim como a respiração, existindo maior risco de complicações graves como infarto, parada respiratória ou convulsões.
Porque o crack vicia?
Por ser feito com cocaína, o crack é uma substância extremamente viciante pois é capaz de alterar quimicamente uma parte do cérebro conhecida como "sistema recompensa". O que acontece é que a pessoa quando fuma crack, acaba tendo maior concentração de dopamina no cérebro, um tipo de neurotransmissor que, quando é liberado, cria a sensação de prazer e bem-estar e que, normalmente, é liberado após algumas ações essenciais à vida, como comer, fazer exercício ou praticar sexo, por exemplo.
Uma vez que o crack aumenta a ação desse neurotransmissor, depois que o efeito passa, é normal que a pessoa fique com vontade de voltar a sentir a mesma sensação e, por isso, começa a utilizar o crack mais vezes. No entanto, o efeito do crack no corpo não é sempre o mesmo já que, ao longo do tempo, o cérebro vai desligando alguns dos seus receptores e, por isso, a sensação de prazer vai sendo cada vez menos, o que faz com que a pessoa precise fumar quantidades maiores de crack para sentir os mesmos efeitos de antes.
Eventualmente, o cérebro acaba sofrendo uma alteração tão profunda no seu funcionamento que deixa de ser capaz de funcionar corretamente sem o consumo de crack e, aí, é considerado que a pessoa ficou viciada. Nestas situações, quando a droga é retirada, é normal que a pessoa apresente sintomas de abstinência, como:
- Depressão;
- Ansiedade excessiva;
- Irritabilidade fácil;
- Agitação;
- Falta de energia e dor muscular;
- Náuseas.
O tempo necessário até que o vício se instale varia bastante de caso para caso, mas em algumas pessoas pode ser suficiente apenas uma dose de crack.
Tratamento para abuso de crack
O tratamento para o vício do crack deve atingir os dois principais tipos de dependência causados pela droga: a dependência psicológica e a dependência física. Dessa forma, é aconselhado que o tratamento seja feito em um centro especializado, como as clínicas de desintoxicação e reabilitação, com uma equipe multidisciplinar.
No caso da dependência psicológica, geralmente são realizadas sessões de psicoterapia ou terapia em grupo para ajudar a pessoa a achar outras formas de encontrar prazer e satisfação na vida, além de tratar o problema psicológico que pode ter estado na origem do consumo da droga.
Já para tratar a dependência física, geralmente são indicados alguns remédios de farmácia que podem ajudar, especialmente os antidepressivos, os antipsicóticos e os anticonvulsivantes.
No entanto, é importante lembrar que o tratamento de um vício é sempre um processo demorado, que pode levar até vários anos. Dessa forma, é importante não desistir nos primeiros meses do tratamento, mesmo que pareça não estar existindo qualquer tipo de resultado positivo. Além disso, envolver a família e os amigos no processo de tratamento também pode ser, em alguns casos, bastante benéfico. Veja mais detalhes sobre o tratamento para o vício por drogas.